‘Chance de ter uma greve dos caminhoneiros como a de 2018 é pequena’, diz presidente da CNT

Segundo Vander Costa, problema das altas dos combustíveis é mundial e não do governo brasileiro; segmento teve alta de empregos no ano com mais de 70 mil novas vagas.

27 OUT 2021   |   Por Jornalismo  |   10:14
Foto: Nelson Antoine/Estadão Conteúdo
‘Chance de ter uma greve dos caminhoneiros como a de 2018 é pequena’, diz presidente da CNT
Presidente da CNT diz que risco de greve de caminhoneiros é baixo por não haver liderança forte.

Apesar dos problemas consequentes da alta dos combustíveis, principalmente do óleo diesel, o setor de transportes tem saldo positivo nos postos de emprego em 2021. O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, concedeu entrevista ao vivo ao Jornal da Manhã nesta quarta-feira, 27, para falar sobre o tema.

Segundo ele, o setor já superou a marca de 70 mil novos empregos em 2021. Sobre a possibilidade de greve de caminhoneiros de grande proporção, como a que ocorreu em 2018, o presidente da CNT ainda afirmou que existe apenas uma baixa chance de que ocorra, principalmente pela falta de uma liderança forte e pelo entendimento de que o problema dos combustíveis não é do governo federal, mas algo global.

Existe chance [de greve], nós estamos atentos. Eu estive reunido ainda ontem com o ministro Tarcísio, da Infraestrutura, estamos todos preocupados, mas as possibilidades de ter um movimento como o que ocorreu em 2018 são muito pequenas, porque aqueles que estão propagando o movimento não têm uma liderança efetiva. O setor está consciente de que o preço do petróleo não é um problema do governo brasileiro, é um problema mundial. E estamos trabalhando para poder repassar o custo para frente. Os carreteiros estão tendo um aumento. Nós estamos entendendo que paralisar o Brasil como em 2018 não vai ajudar em nada o setor de transportes. Muito pelo contrário, vai gerar desabastecimento e vai complicar a situação econômica, principalmente porque nós estamos ainda numa pandemia, no final da pandemia, eu quero acreditar, a vacinação tem ajudado muito, mas não é o momento de fazer tumultos, de fazer confusões. A CNT, junto com os empresários de transportes, não adere a paralisação e nós estamos confiantes que, com a força policial garantindo o direito de greve daqueles que querem parar, mas garantindo [também] o direito de abastecer o Brasil daqueles que querem continuar trabalhando, esse movimento não vai ter sucesso”, afirmou Costa.

O presidente da CNT destacou ainda a necessidade do setor se reinventar para continuar crescendo. “O setor vai ter que se reinventar para sobreviver diante da perspectiva de aumento do preço do óleo diesel e ainda uma perspectiva de que até o final do primeiro semestre do ano que vem vamos continuar tendo aumentos. Estamos enfrentando, junto com o governo, o fim da desoneração da folha no transporte rodoviário de cargas e passageiros, o que significa muita dificuldade, mas, mesmo assim, mesmo com a pandemia, estamos contratando novos trabalhadores, puxado principalmente pelo rodoviário de cargas. Já superamos 70 mil novos empregos em 2021 e esperamos que, com o fim da pandemia, esse recuperação continue, deslocando da carga para os passageiros”, afirmou.

Segundo Vander Costa, o crescimento do número empregos no setor é explicável pela força contínua do agronegócio no Brasil. “O agronegócio continuou forte, pujante, nós temos que abastecer a agricultura com insumos e também transportar a safra. A exportação também é um setor que está que está movimentando essa ideologia que consome o minério e faz o aço estar em alta. O rodoviário de cargas foi beneficiado também pela crise hídrica. Na hora que o tietê fecha a hidrologia, a rodovia do Paraná, faz com que a carga saia do [transporte] aquaviário e vá para o rodoviário. E a quantidade de mão de obra do rodoviário é muito maior do que um aquaviário. Então, o fato dos rios não estarem tendo navegabilidade, o que não é bom, é ruim, faz com que o transporte rodoviário de cargas tenha um aumento de vagas principalmente de motoristas.”

Ainda na entrevista, Costa fez um apelo à Petrobras, para que os aumentos sejam feitos com mais programação e menor frequência, de maneira que demais setores da economia sejam menos impactados. “O que a gente pede à Petrobras é que tenha um pouco menos de volatilidade, que os reajustes não sejam feitos semanalmente ou mensalmente, que ela use o red financeiro, uma ferramenta do mercado disponível para que os reajustes sejam feitos bimensalmente, trimensalmente, para que o setor consiga renegociar os preços. Não há alternativa, o petróleo está caro, o diesel vai subir no Brasil com o sobe no mundo inteiro, isso vai fazer com que o transporte fique mais caro também”, pontuou.


Fonte: Jovem Pan

















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