Acidente radioativo com césio-137 em Goiânia completa 34 anos

Conheça agora sobre um dos maiores acidente radioativos da história em detalhes.

13 09 2021   |   Por Jornalismo / Halysson Simões  |   12:00
Foto: Yoshikazu Maeda / O Popular
Acidente radioativo com césio-137 em Goiânia completa 34 anos
Monitoramento de área atingida pelo césio-137 em Goiânia

Nesta segunda-feira, 13 de setembro, completa-se 34 anos de um dos maiores desastre radiológicos da história, o acidente de césio-137 em Goiânia (GO).

O acidente até hoje marca de forma triste a vida daqueles que sofreram com mortes ou sequelas do evento. Para quem não conhece sobre o que aconteceu, a RC Vale conta um pouco sobre a história por trás deste desastre radioativo.

O desastre ocorreu em Goiânia em 1987 após dois catadores de lixo entrarem em contato com uma porção de cloreto de césio, o césio-137. Mas a história por trás deste evento começa um pouco antes disso.

Em 1985, um instituto de tratamento de câncer fecha as portas de sua unidade em Goiânia. Assim como se espera, a maioria dos equipamentos foram levados para fora, porém uma máquina de radioterapia à base de cloreto de césio acabou ficando no local.

Após esse acontecimento, dois anos depois, em 1987, dois catadores de lixo foram até o local e tiveram interesse na máquina. Sem os devidos cuidados, os catadores entram em contato com uma cápsula de césio-137. A partir deste momento, ambos já estavam contaminados com o radioativo. Dois dias depois, eles começam a sentir os efeitos da radioatividade do químico, tendo então náuseas, vômitos, tontura e diarreia.

A intenção dos catadores era vender as peças da máquina, pois acreditavam serem valiosas. Nisso, o dono de um ferro-velho compra o produto. Dentro do equipamento, encontram uma capsula de 19g de césio. Algum tempo depois, o brilho verde-azulado (que algum tempo depois ficou conhecido como brilho mortal) chama a atenção do dono do ferro-velho, que acaba levando o produto para sua casa.

Acreditando ter algo muito valioso, o dono do ferro-velho faz uma exposição do item, chamando para sua casa muitas pessoas. Todas aqueles que se aproximaram da substância tiveram efeitos colaterais, mas sem saber o porquê.

O irmão do dono do ferro-velho o visita e leva um pouco da substância para casa. Durante o jantar, ele o mostra para seus filhos e contamina a comida sobre a mesa. Sem perceber, sua filha de 7 anos ingere pão com um pouco do pó. Um mês depois, Leide das Neves Ferreira morre. É a primeira vítima do césio-137.

Algumas semanas depois, a esposa do dono do ferro-velho, sabendo de todos os afetados pelo radioativo, decide levar a capsula até a Vigilância Sanitária. O preço por ajudar a desvendar esse mistério? Ela se tornou a segunda vítima fatal do evento.

Em 30 de setembro, técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e policiais militares começam a descontaminação da região. Mais de 112,8 mil pessoas são monitoradas (129 estavam gravemente contaminadas) e 6 mil toneladas de material contaminado vão para um depósito especial. Oficialmente, quatro pessoas morreram devido à exposição à radiação. Mas, de acordo com a Associação de Vítimas do Césio-137, o número de vítimas é bem maior e chega a 80.

Anos depois do acidente, o tratamento das pessoas contaminadas continua. Passados 30 anos do acidente, 975 pessoas são monitoradas pela Superintendência Leide das Neves (SuLeide), instituição que presta assistência às vítimas.

 

Fonte: Super Interessante

















Newsletter

Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.


RC PLAy