Região soma mais mortes por raio do que nove estados brasileiros e o DF

Conclusão é de um estudo feito pelo Elat-Inpe, que analisou registros ocorridos entre 2000 e 2019; estudo dá dicas de como se proteger durante uma tempestade.

31 JUL 2020   |   Por Jornalismo  |   08:48
Foto: Reprodução

Entre 2000 e 2019, a região do Vale do Paraíba registrou mais mortes por raio do que nove estados brasileiros e o Distrito Federal.

A conclusão é de um estudo feito pelo Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Nesse período foram registradas 35 mortes por raios no Vale, um número superior ao registrado nos estados de Pernambuco (34), Acre (21), Distrito Federal (21), Rio Grande do Norte (21), Espírito Santo (20), Roraima (17), Alagoas (14), Paraíba (7), Sergipe (5) e Amapá (4).

Segundo o coordenador do Elat-Inpe, Osmar Pinto Junior, o “Vale do Paraíba possui três características que fazem com que a incidência de raios e, em consequência de mortes por raios, seja elevada: é uma região entre montanhas e elas favorecem a formação de tempestades; está na rota dos sistemas frontais que vêm do sul e na maior parte das vezes passam pelo Vale antes de ir para o oceano. Os sistemas frontais favorecem a formação de tempestades; é uma região de alto tráfico de automóveis e em consequência com razoáveis níveis de poluição, que é outro aspecto que favorece a formação de tempestades”.

Os cinco estados com mais mortes por raio nesses anos foram São Paulo (327), Minas Gerais (175), Pará (162), Rio Grande do Sul (147) e Mato Grosso do Sul (139).

ESTUDO

Segundo o Elat-Inpe, o Brasil é o líder em incidência de raios no mundo, com cerca de 77,8 milhões de descargas para o solo a cada ano. Quanto ao número de mortes provocadas pelo fenômeno, o país ocupa a sétima posição mundial: neste século (2000-2019) já foram registrados 2.194 casos no Brasil, uma média de 110 óbitos por ano.

O levantamento foi feito pelo grupo com base em informações coletadas pelo CGIAE (Departamento de Informações e Análise Epidemiológica) do Ministério da Saúde, veículos de imprensa e dados de população do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com base no levantamento, o Elat lançou uma cartilha de proteção contra raios com orientações inéditas de como se proteger do fenômeno no Brasil.

“O estudo representa um dos levantamentos mais detalhados sobre mortes por raios no mundo e deve contribuir muito para reduzir as mortes no país”, comentou o coordenador do grupo.

RESULTADOS

Entre os principais resultados do levantamento, o Sudeste concentra o maior número de casos (26%) e a maior parte das mortes (67%) ocorreu no verão e primavera – estações mais quentes do ano e por isso com maior número de tempestades e raios.

Os homens representam a maior parte dos casos (82%). Dentre as principais circunstâncias de fatalidades, os maiores percentuais são aqueles associados a circunstâncias de agronegócio (26%) e estar dentro de casa próximo à rede elétrica ou hidráulica (21%), seguidos por atividades na água ou próximo de praias, rios ou piscinas (9%), embaixo de árvores (9%), em áreas cobertas que protegem da chuva, mas não dos raios (8%), em áreas descampadas (7%), próximo a veículos ou em veículo abertos (6%), em rodovias, estradas ou ruas, sem estar dentro de veículos (4%), próximo a cercas, varal ou similares (4%) e outros casos (6%).

Não há nenhum registro de fatalidade dentro de veículos fechados – essa é circunstância mais segura para se abrigar durante uma tempestade, segundo o Elat-Inpe.

PROBABILIDADE

De acordo com o estudo, a probabilidade de uma pessoa morrer atingida por um raio no Brasil ao longo de sua vida é de um em 25.000. Embora pareça pequena, a chance é maior do que aquela de ser mordido por um cachorro (um em 100.000). Essa probabilidade aumenta em até 2,5 vezes se você estiver desprotegido em uma área descampada durante uma tempestade típica, que produz cerca de três raios por minuto – neste caso, em apenas 30 minutos, a probabilidade de morrer atingido por um raio é em torno de um em 10.000, similar à de sofrer um acidente aéreo. Para pessoas que estejam em áreas descampadas durante uma tempestade mais forte, que produz cerca de 30 raios por minuto, a probabilidade de morrer atingido por um raio é de um em 1.000, ou seja, 25 vezes maior.

O Elat-Inpe apontou ainda que nem sempre um incidente provocado por um raio é fatal, já que mais de 300 pessoas sobrevivem por ano após serem atingidas por um raio.

Fonte: O Vale

















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