Com outubro menos chuvoso desde 2014, represas do Vale perdem 20%

No ano passado, outubro registrou 180 mm de chuva, com 110 mm em 2017, 130 mm em 2016 e 100 mm em 2015; as chuvas deste ano (60 mm) só superaram outubro de 2014, com 15 mm

29 NOV 2019   |   Por Jornalismo  |   11:38
Foto: Xandu Alves/OVALE
Com outubro menos chuvoso desde 2014, represas do Vale perdem 20%
Trecho da represa de Paraibuna em Natividade da Serra, tida como a caixa d'água do Vale

O mês de outubro deste ano teve o menor volume de chuvas dos últimos cinco anos, segundo dados do Cptec (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos).

No mês, o serviço do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 60 milímetros de chuva na região, 54% a menos da expectativa para o mês, cuja média histórica é de 130 mm.

Cada milímetro equivale a um litro de água acumulada por metro quadrado. É uma forma de medir a quantidade de chuvas numa localidade. O valor é medido por pluviômetros.

COMPARAÇÃO

No ano passado, outubro registrou 180 mm de chuva, com 110 mm em 2017, 130 mm em 2016 e 100 mm em 2015. As chuvas deste ano só superaram o mês de outubro de 2014, que registrou 15 mm. Na ocasião, a região enfrentava a pior crise hídrica dos últimos 80 anos.

Com menos chuva em outubro, os reservatórios da bacia do Rio Paraíba do Sul perderam 20% do volume útil desde o início da estação chuvosa, com a chegada da primavera, em setembro. Os dados são da ANA (Agência Nacional de Águas).

O reservatório equivalente --espécie de média das quatro represas—caiu de 42,35% em 19 de setembro para 33,83% nesta quinta-feira.

Trata-se do menor volume de água nas represas do Vale desde fevereiro deste ano, quando estavam com 38%. O pico de água no ano ocorreu em junho, com 58%.

Entre as quatro represas da bacia, a de Paraibuna, a maior e mais importante para a região, foi a que perdeu mais água neste período, recuando 30% no volume de água: 30,5% contra 43,4%.

O reservatório de Santa Branca perdeu 18% (33,63% ante 41,16%), a represa de Jaguari recuou 6% (46,31% contra 49,26%) e a de Funil perdeu 4% (32% a 33,4%).

Segundo o engenheiro Luiz Roberto Barretti, membro do CBH-PS (Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul), a situação merece atenção dos moradores que se beneficiam das águas da bacia do Rio Paraíba do Sul.

"A crise hídrica é a gente quem faz quando gasta mais água, o que interfere no reservado", afirmou.

CRISE DA ÁGUA

Após a crise hídrica entre 2014 e 2015, o consumo de água caiu no Vale, em razão da necessidade de contenção dos gastos durante o período de escassez.

Levantamento da Sabesp feito a pedido de OVALE revela que o consumo de água no Vale do Paraíba caiu 14% na comparação entre 2014 e 2018.

No início da crise hídrica, o consumo residencial na região era de 14,3 mil litros mensais, em média. Atualmente, caiu para 12,3 mil litros por mês.

"O legado é uma prova de que a população tem evitado o desperdício e segue atenta ao uso racional da água", informou a Sabesp, principal fornecedora de água na região.

No Litoral Norte, segundo a companhia, o consumo de água não sofreu variação. Na Grande São Paulo, o consumo de água caiu 18%.

"Apesar da queda no consumo e da situação satisfatória dos mananciais, a consciência para o uso racional da água é permanente", disse a Sabesp.


Fonte: OVale

















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