Sem servidores, 24 mil processos ficam represados no INSS na região

Gestantes, aposentados e pensionistas esperam até 7 meses por benefício

25 JUN 2019   |   Por Jornalismo  |   09:36
Foto: Reprodução
Sem servidores, 24 mil processos ficam represados no INSS na região
Na agência de São José dos Campos, há mais de 12 mil processos pendentes

Agências do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) na RMVale sofrem com a falta de funcionários e, consequentemente, a população sofre com a demora na liberação de benefícios. De acordo com o Sinsprev (Sindicato dos Servidores e Trabalhadores Públicos em Saúde Previdência e Assistência Social), as unidades do INSS nas cidades de Lorena, Cachoeira e Aparecida correm risco real de fechar as portas por falta de servidores. 

Em abril deste ano, o MPF (Ministério Público Federal) recomendou a abertura de concurso público para preencher o déficit de funcionários do INSS. Entretanto, o Ministério da Economia rejeitou o pedido e, por hora, não haverá contratações. Enquanto isso, mais de 2 milhões de pessoas em todo o Brasil continuam na fila aguardando atendimento.

Segundo dados do INSS, somente na região de São José dos Campos - que abrange as cidade de São José, Campos do Jordão, Caraguatatuba, Jacareí, São Sebastião, Santa Isabel e Guararema - há 12.220 processos pendentes de análise, incluindo pedidos de aposentadorias, pensões, salário maternidade e benefícios assistenciais. Somando com a região de Taubaté - que abrange as cidades de Taubaté, Aparecida, Caçapava, Cruzeiro, Guaratinguetá, Lorena, Pindamonhangaba, Ubatuba, Cachoeira Paulista e Cunha - o número de pendências sobre para 24.383 . 

Brenda Caroline, 20 anos, trabalhava em uma cooperativa de reciclagem quando deu a luz ao pequeno Yuri Rafael há três meses e ainda não recebeu o benefício da licença maternidade. A data marcada para a apresentação dos documentos era dia 14 de junho e ainda precisou remarcar a data por conta da Greve Geral.

"Estava marcado para às 8h do dia 14, mas não tinha ônibus e minha mãe e minha sogra não puderam me levar. Minha mãe ligou no INSS e disseram que não estavam atendendo. Agora vou esperar até o dia 25, estou morrendo de medo de não conseguir dar baixa nos papeis", explica Brenda.

O advogado Ezildo Santos Bispo conta que a tramitação dos processos de seus clientes duram de um à um ano e meio até a liberação do benefício. Ele aponta que o problema não é a qualidade do serviço ou atendimento no INSS, mas sim a falta de servidores.

“O atendimento é bom, o problema mesmo é a falta de braço. Nós não podemos nem reclamar com os funcionários, porque a culpa não é deles”, aponta Ezildo.

De acordo com a diretora do Sinsprev, Poliana Campos, as agencias do instituto da região operam em déficit precário. Segundo ela, na unidade de Lorena, por exemplo, há apenas 2 servidores para atender a população.

“O que vemos é o desmonte da previdência. Com o déficit de servidores, o INSS não consegue fazer as analises”, afirma Poliana.

De acordo com a recomendação do MPF, além do déficit de “[...]10 mil vagas, há em torno de 9 mil servidores em Abono de Permanência que podem, portanto, se aposentar a qualquer tempo”.

Segundo a assessoria de imprensa do INSS, a média de tempo entre o requerimento e a concessão de aposentadorias, pensões, salário maternidade e benefícios assistenciais, é de sete meses na RMVale. Disse ainda que "[...]em muitos casos, as pendências não são do INSS, mas do próprio segurado, como falta de documentos, falta de comprovação de tempo de contribuição, entre outros".

Ainda de acordo com o INSS, há 27 servidores trabalhando na agência de São José dos Campos, sem incluir os peritos médicos e assistentes sociais, e não há uma estimativa de défict no quadro de funcionários.


Fonte: Meon

















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